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quinta-feira, 21 de maio de 2009

6 PERGUNTAS - Vinicius


Confira:


1- Você escreve desde quando?
Comecei com uns 14 ou 15 anos, quando o que eu curtia mesmo era o "Senhor dos Anéis". Eu queria escrever algo do tipo mas era muito trabalhoso, então nunca ia pra frente. Depois atravessei aquela fase lírico-depressiva de adolescente, com um monte de poesia ruim. Acho que passei a levar o negócio mais a sério enquanto fui conhecendo a "literatura canônica" e vi o quanto a pesquisa e as leituras anteriores são importantes para a composição de uma obra.

2- Por que criou um blog?
Meu primeiro blog foi criado entre 2001 e 2002. Mas como eu nunca fui muito dado a "conversinhas com o diário", abandonei - e naqueles anos o blog não tinha muito essa característica funcional que é comum hoje, e mesmo que tivesse, eu não teria cabeça. Recentemente, conforme passei a produzir sonetos - tive uma longa e tortuosa fase de produção de sonetos -, o blog passou a abrigar essas produções e me ligar com outras pessoas do país. Abandonei também, porque a minha produção acabou ficando mecanizada e sem espírito. Depois de um ano sem postar, reabri o blog com uma proposta profissionalmente mais focada - pelo menos é o que eu quero que pareça - com o intuito de difundir um pouco mais de literatura e cultura com um mínimo de bom gosto.

3- Por que escolheu o nome de Molho Vinagrete?
Ah, sabe como é... Vinicius leva a Vina, que levou, num momento de leviandade espiritual, a Vinagrete. Se não me engano, a pessoa que mais colocou esse apelido em prática foi um rapaz talentoso chamado E. James, vocalista de uma banda de funk/soul da qual eu era integrante. O "Molho" foi uma adição estética de minha parte, pra deixar a coisa mais saborosa.

4- Qual sua fonte de inspiração e criatividade?
Inspiração nunca vai servir sozinha se não houver prática e técnica para serem aplicadas num todo. Camões, n'Os Lusíadas, resume o que eu encaro como o ideal da produção artística: Cantando espalharei por toda parte / Se a tanto me ajudar o engenho, e arte. De qualquer modo, uma boa maneira de gerar textos criativos é olhar onde não é comum, em coisas pequenas, e torná-las grandes, significativas. É muito fácil cair em lugares-comuns e tornar o seu texto irrelevante.

5- Por que colocou o nome de Lethe no seu conto, é referente ao rio Lethe - Mitologia?
Certamente. Tentei reunir a figura da Musa com a do rio. Elas se constroem por oposição dentro do texto, se considerarmos que as Musas representam tradicionalmente a idéia de verdade - a-létheia, em grego, não-esquecimento - e de revelação do divino ao ser humano - ver a Teogonia de Hesíodo. Tendo isso em mente, eu quis que minha personagem passasse por uma situação determinada e no decorrer fosse gradualmente afastada. Tendo, enfim, se afastado da Musa - e da revelação divina, da verdade -, foi condenado ao Lethes. Assim sua grandiosidade terrena se torna pífia diante da negação da arte divina, e seu nome não é lembrado pela posteridade. Enfim, eu poderia escrever uma longa história sobre o tema, mas assim não se adequaria a um post para a coletiva, né.

6- Deixe uma frase para o blog Palavrentas e Escrevedores.
A frase que eu mando não é minha, mas serve em qualquer ocasião:
"Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la - ah, amigo! - isso é difícil." J. L. Borges

6 PERGUNTAS - Fernanda


Confira:


1- Você escreve desde quando?
Sempre escrevia cartas, textos, poemas... Mas, sem divulgação. Uso a escrita para pode me expressar!

2- Por que criou um blog?
Criei o blog porque eu estava precisando me distrair (eu havia terminado com meu namorado... rsrsrs), mas depois, a gente acabou voltando a namorar... só que eu não consegui mais deixar o blog! hahahahaahaha! Isso vicia!

3- Por que escolheu o nome de A vida como ela é...?
Porque queria expressar como a minha vida realmente é... Mostrar que tenho momentos de fraquesa, de alegrias, de conquistas...

4- Qual sua fonte de inspiração e criatividade?
Não sei... Depende do momento... As vezes são as pessoas a minha volta, outras vezes são situações que passo no dia-a-dia... A única coisa que sempre penso antes de escrever é: "será que eu gostaria de ler isso?"... hahahahaahah!

5- Da onde veio a idéia de usar as letras de tema do mistureba, Encontros e Desencontros, para escrever o texto?
Foi uma idéia que eu e mais 3 amigas usamos no colégio, ha uns 4 anos atrás. Só que na situação a gente criou apenas uma frase e o tema era "certas palavras"... Acabei lembrando disso e resolvi tentar fazer novamente, mas de uma maineira bem mais elaborada.

6- Deixe uma frase para o blog Palavrentas e Escrevedores.
Tem uma frase que não é de autoria minha, mas é uma que eu gosto de lembrar sempre: "Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem..." (Renato Russo)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Segundo Selo-Prêmio - Conto

O segundo Selo-Prêmio vai para o texto do Vinicius do blog Molho Vinagete. Excelente e Parabéns. Leiam:

Lethe
O abandono da Musa seria essencial àquela carreira que viria a se tornar brilhante. Desde que se deram as costas, o trabalho foi frutífero e bem recompensado. Antes, e nunca mais depois, tratava-se do próprio instrumento de revelação, o véu da graça, da Musa, arrebanhando bandos de palavras perdidas e juntando-as em conjuntos graciosos e completos; pastavam próximas aos seus papéis. A Musa o acariciava em sólidos perfumes. Amavam-se mutuamente em distância, e suas correspondências eram a arte do mundo. Ele era um pobre coitado, pobre, cheio de letras. Sua Musa, cerúlea, eterna jovem, era mais que fiel. Era toda sua, corpórea e intocável; reveladora, e acima de tudo, verdadeira.
O amor existiu enquanto houve palavras. Mas estas, de pouco alimento, morreram à ponta da caneta, esmagadas por protocolos, serviços burocráticos e números. Novas palavras vieram, pesadas, não eram as da Musa. Esta partiu sem despedida, pudor ou desmedida. Seus carinhos seriam então de outro, e nunca deixaram de ser dele. De Musa não se esquece.
Ele, portanto, tratou de artes baixas, da escrita pobre. Vendeu-se às musas falsas, terrenas, pintadas. Seu nome cresceu à custa de sucessos encomendados. Ele lucraria, outros também. Das mulheres lamacentas, teve das melhores, e mesmo as melhores não sabem de palavra ou de alma. Ele foi o mais rico, e seu reino se estendeu por toda a terra. Não admirava artistas ou pensadores. Seus negócios prosperaram. Foi, enfim, o maior nome do seu tempo.
Mas a Musa não o conservou. Tanto tempo depois, esta é uma história longínqua de um moribundo que trocou os ares dos véus da Musa por ouro e fama. Talvez soubéssemos seu nome se o jovem tivesse seguido por outro caminho. Estando na Musa, não se esquece.
O rei do mundo não foi filho da Memória. E Musa, trata de ser não só revelação. Musa é não-esquecimento.
Quanto às correspondências, ela as lançou ao rio. Foram comidas por um peixe do tamanho de um homem, e de memória curta.
Molho Vinagrete


Como prometido uma surpresa, ai está.
Se ele tivesse escolhido outro caminho, ele teria outra vida com uma história bem diferente e com muito menos conflito.
Leiam o mistureba:

Vida
Ele nada tinha nessa dura vida, apenas Ela. Quando mais jovem, teve que escolher entre o amor e seu possível sucesso profissional. Escolheu Ela, hoje, vive em uma casa simples, com móveis simples e de pouca fartura a mesa. As crianças, filhos, correm em torno da mesa, riem, brincam. Ele apaixonado observava Ela, que cozinhava dançando na simples cozinha de piso frio. Às vezes, pensava se deveria ter escolhido seu trabalho, assim, talvez, pudesse dar a sua linda mulher uma vida mais confortável. Mas, logo, era interrompido pelos gritinhos animados das crianças que o chamavam para brincar.
No quarto, o casal guardava as antigas cartas de amor trocadas antes de se casarem.
Ele não tinha nada nessa vida dura, mas era o rei do seu mundo. Não seria famoso e seu nome não apareceria nas revistas e jornais, mas escreveu sua história e deu seu nome a sua família. Quando os filhos crescerem e a vida começar lhe escapar, deitará na sua cama junto a Ela e acordarão juntos no céu.
Aléxia G.

Primeiro Selo-Prêmio - Poesia

Ignorando as denúncias anônimas, como me foi sugerido, vamos prosseguir.



Leia:

escondo dor deserto seco oco

retrocedendo este nosso conto contente ENCONTROS

secretos destino corrente nos eterno sorriso

sereno sente toco entre nossos rostos encosto dedos tensos correndo
desespero concedo E tremo denso socorro

retorno deste concerto sedento de consolo onde enterroeste ser crendo no retorno certo e nos
DESENCONTROS
Fernanda nos conta como estruturou seu texto:
"Usei as letras do tema escolhido (Encontro e Desencontros) e formei novas palavras apenas com essas letras. Em seguida, organizei uma narrativa com essas palavras que dessem um sentido. Resolvi fazer esse tipo de texto para expressar a idéia de movimento das palavras, mostrando que conseguimos entender a idéia do texto sem ter uma frase completa."



Gente, incrível e genial. Parabéns para Fernanda do blog A vida como ela é...


Beijos
Aléxia

terça-feira, 5 de maio de 2009

Aos escritores participantes

Boa tarde, vocês devem estar se perguntando o motivo de tanta demora para escolher os textos. Bom, estou muito chateada, muito decepcionada e completamente incrédula. Tenho recebido denúncias (anônimas) de que há textos plágiados no blog.
Nunca imaginei que alguém pudesse fazer isso em um blog, o que faz uma pessoa pensar que pode tomar posse das palavras e histórias de outras pessoas.
Eu, sinceramente, não sei o que fazer. Não sei se devo tirar o blog do ar ou ignorar as denúncias.
Aos que participaram, se empenharam e se dedicaram, minhas sinceras desculpas.
Aléxia

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Selo Encontros e Desencontros - Eu participei!!!

Para todos que participaram, está ai um selinho fofo (hehe), como o prometido!

domingo, 26 de abril de 2009

INCRÍVEL!!!

Olá Encontrados e Desencontrados, você se superaram, os textos estão incríveis, não sei qual escolher, não imaginei como seria difícil ter que escolher apenas dois textos, acredito que escolherei um poema e dois contos.
Peço desculpas pela demora na postagem dos textos, estou doente e pouco disposta fisicamente. Logo, postarei a escolha dos 3 textos, o selo prêmio e a surpresa.
Aguardem!!!
Vamos aos números:
Blogs inscritos: 38
Blogs que enviaram seu texto: 29
Blogs não inscritos que mandaram seu texto: 4
ATENÇÃO: os textos postados contêm o nome do blog (autor) e são de inteira responsabilidade dos mesmos.
PARABÉNS!!!

ENCONTROS E DESENCONTROS - Viraletras

Uma chance para amar

Repentinamente, corpos se esbarraram, olhos se cruzaram e pedidos de desculpas foram simultaneamente pronunciados, enquanto mãos, desajeitadas e apressadas, tocavam-se ao retirar do chão toda papelada que havia caído. Até aqui nenhum deles havia chegado tão perto um do outro, embora trabalhassem todos os dias na mesma repartição.
O dia transcorreu aparentemente igual, entretanto, pensamentos e sensações os inquietaram dali por diante. Como poderia um simples esbarrão despertar pessoas tão diferentes? Enquanto ela repetia há meses para si que jamais permitiria ser magoada novamente, ele se abria para cada chance que a vida ameaçava lhe dar.
Poucos dias foram necessários para que eles deixassem a lacuna da indiferença ser preenchida por mais olhares e alguns sorrisos entrecortados pela timidez fugaz. A curiosidade aumentava consideravelmente na proporção em que o tempo passava, a ponto de não conseguirem disfarçar o despretensioso interesse. Que sentimentos alimentavam realmente?
Ele logo decidiu dar o primeiro passo, afinal, havia algo no ar que sinalizava positivamente. Enviou um enorme arranjo de flores campestres e um bilhete que dizia: Quero encontrá-la hoje. Aguardarei ansioso pela conversa. Segue meu e-mail e telefone. Até lá!
A surpresa foi agradabilíssima, que mulher não se lisonjearia? Ela, porém, não se deixou arrebatar mesmo assim. Respondeu que tinha um compromisso importante naquele horário.
Outras tentativas e o encontro ficou adiado. Ele não compreendia o porquê de tamanho distanciamento, apesar dos constantes e, recentemente, mal-disfarçados olhares, não se conformava com as inúmeras desculpas esfarrapadas e a falta de assertividade com que ela o repelia. Ela mortificava os próprios sentimentos.
Entretanto, ao terminarem o expediente, certo dia em que uma chuva torrencial desabava dos céus, ele, desprecavido de um guarda-chuva, aproximou-se a convite dela para chegarem até o ponto onde haviam estacionado. A enorme sombrinha pouco os ajudou debaixo de tanta água, falavam efusivamente sobre aquilo, quando, no instante em que ambos chegaram até o carro dele, houve um silêncio abrupto e, sem mais nenhuma palavra, os sentimentos tornaram-se transparentes, pareciam ter sido lavados pela grossa chuva, um beijo demorado e ardente os desarmou por completo. E, naquele resto de tarde o tempo parou, só havia eles, mais ninguém.
Chamado para trabalhar fora daquele Estado, algo que há algum tempo almejava, Victor decidiu obter uma resposta concreta de Louise, afinal, já não eram apenas amigos como antes, um passo importante poderia ser dado, bastava ela consentir, porém, todo aquele medo que a paralisava fez com que ele resolvesse partir sem resposta. Passaram-se meses de tristeza, o sentimento de frustração dele não destoava muito daquele de arrependimento dela.
Certa ocasião, num desses feriados prolongados, ela o viu de relance, o coração disparou, as mãos ficaram trêmulas e, por um segundo, ousou desvencilhar-se das amarras que mantinham seus sentimentos estancados desde que fora abandonada sem nenhuma explicação à porta da igreja, apenas uma frase ecoava nas suas amargas lembranças: querida, sinto muito, não posso fazer isso! Como assim? O que aconteceu? O que fiz de errado? Pensava ela, enquanto milhares de outras perguntas eclodiam em sua cabeça, e ainda houve, por parte do noivo, um beijo de Judas na despedida daquele fatídico dia.
Agora havia uma centelha de esperança em recuperar sua autoestima, ali estava alguém que fazia enorme diferença em sua vida como nunca pudesse crer que haveria. Ainda atordoada, pôs-se atrás e, sem que pudesse dar novo passo, esteve perplexa ao notar a presença do recém-nascido que uma mulher acabara de reclinar no colo dele. Não havia nada que refutasse a prova cabal do que presenciara. Victor a esquecera e dera continuidade à vida, aliás, nova vida se fez. A culpa era dela, a felicidade era dele.
Voltou à estaca zero, fechou-se novamente e acreditou que não teria alguém com quem compartilhar a velhice, caso chegasse até lá. Seu destino estava desgraçadamente traçado, solidão seria sua companhia eterna.
Já em casa, jogou-se no sofá, acabou-se em lágrimas, sentiu-se ridícula ao imaginar que tanto tempo depois ele manteria intactos em seu coração os poucos e maravilhosos momentos. Pior sentia-se ao lembrar da alegria estampada no rosto dele segurando aquela criança.
A campainha tocou insistentemente. Como Louise não atendesse, um bilhete surgiu pela fresta da porta: Quero encontrá-la hoje. Aguardarei ansioso pela conversa. Segue meu e-mail e telefone. Até lá!
Embora muito confusa, viu reacender ao longe a chama do sentimento que acreditou nunca ter encontrado ou merecido.
Frente a frente, mal-entendidos foram desfeitos, ele pôde entender porque ela o afastava, apesar dos sentimentos à mostra, enquanto Louise soube que o bebê não passava apenas de um sobrinho querido. Puderam conversar horas a fio, sem meias palavras, sem desculpas, sem medo, sem nenhum segredo.
Dali por diante foram inúmeros telefonemas e e-mails. O que pareceu apenas um flerte no início e uma relação fadada ao fracasso por conta da distância, culminou em muitos encontros que compuseram uma história de amor.
Naquele dia, Louise esteve com os nervos à flor da pele, convidara os amigos e sua família esperava ansiosamente pela união promissora do casal. Felizmente, os sinos da igreja anunciaram a alegria de ambos, contrariando todas as expectativas mutiladas pelo passado.
Logo vieram filhos, o tempo passou... Bodas de ouro, bisnetos e uma certeza de que o amor merece uma chance toda vez que houver desencontros pelos caminhos desta vida.

Viraletras

ENCONTROS E DESENCONTROS - Os nascimentos das Palavras

(peregrino pelo silêncio que se alojou em mim quando a vida só sabia desencontrar (talvez o silêncio seja uma ave (uma ave que só nos encontra quando resolvemos enfrentar a tempestade (foi durante a tormenta que decidi construir o ninho para meu pássaro-silêncio. De graveto em graveto aquele berço foi ficando tão grande que expulsou as nuvens do céu (ficou impossível diferenciar onde terminava o ninho e onde começava o firmamento (o céu virou um grande berçário de silêncios (as asas encontraram quietude, possibilitando à paz o voar (o voo agora era eterno, já que todo o infinito encontrara o descanso

Os nascimentos das Palavras

ENCONTROS E DESENCONTROS - Experiências Literárias

Hoje, e somente hoje, darei voz à adolescente que sonhou ser jornalista, mas que, ao concluir o ensino médio, por absoluta necessidade, empregou-se como secretária. Passados alguns anos, surgiu a possibilidade de cursar Economia, mas um desencontro entre a oportunidade e a saúde da mãe interrompeu o curso. A mãe faleceu e a jovem estudante precisava “cuidar” do pai e da avó materna.
A jovem, então, era comerciária, gerente de loja de departamentos e, para uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, seu salário era muito bom, mas, dois anos antes, ela fora aprovada num concurso público para secretária de escola e, guiada pela opinião dos outros (malditas opiniões dos outros!), ela assumiu a nova função, no último dia previsto, aliás, na última noite prevista para apresentação. Desencontro entre a vocação e a necessidade de estabilidade financeira.
A avó faleceu e, passados dois anos, o pai encontrou uma companheira, teve uma filha e seguiu sua vida. Um encontro entre a razão e a emoção, determinou a vitória da razão: morar com madrasta, nem pensar!
Diz o ditado que o que não tem remédio, remediado está. Diz o ditado se você não pode derrotar o inimigo, junte-se a ele – eta, senso comum, tu estás mais presente nas relações humanas do que poderiam sugerir nossos mais célebres filósofos (talvez, por isso, este mundo ainda seja dominado pela mediocridade). Mas, vamos a um encontro: na escola? Então, porque não ser professora? Qual a disciplina? Ora, uma disciplina que permita indagar, pensar e, claro, escrever. Fui cursar Letras. Grande encontro. Na verdade, naquele momento, começava uma sucessão de encontros: professores, colegas e, sobretudo, o aprendizado com os alunos da escola. Eles foram os mais eficientes mestres, me ensinaram como não ser professora, isto mesmo, eu aprendi com os erros dos outros e, certamente, este aprendizado nem mesmo a mais brilhante professora de didática pudesse me ensinar.
Novamente, a necessidade financeira e a dita estabilidade profissional vincularam-na a mesma escola, professora de literatura nas segundas e terceiras séries do ensino médio e um infindável vazio – desencontro: os sonhos da estudante, então, professora, não encontrariam jamais espaço para vazão naquele ambiente. Vamos a mais um desafio: mestrado em literatura! Encontro: professores indicaram-na para universidades particulares da região e as novidades foram boas, as experiências foram interessantes, mas a mediocridade estava no caminho, no caminho, estava a mediocridade – gente mesquinha, gente que se compraz com o brilho do próprio umbigo: desencontro, demissão... Desencontro? Encontro! Foi traída, tentaram humilhar, tentaram menosprezar, mas o espaço estava ali, aberto: doutorado. Ponto final: ponto final para a escola e a opressão; ponto final para a gente mesquinha que, no curso superior, ainda se vale de livros didáticos para ensinar; ponto final para o pensamento pequeno, para as cogitações sobre a vida alheia. Agora, é momento de encontro, de reencontro com as atividades acadêmicas, com o universo do saber, com a pesquisa, com a construção do conhecimento. Desencontros? Sim, a vida é feita de encontros e desencontros, a vida é feita de opções que determinam encontros ou desencontros dependendo exatamente da escolha feita. Encontros e desencontros na vida pessoal, na vida profissional estão aqui mencionados explicitamente ou apenas sugeridos, para dizer que, na vida, nada é pronto, nada é feito, que ir e vir, optar, mudar, renovar são alternativas, porque, de fato, o que importa é viver.

Experiências Literárias

ENCONTROS E DESENCONTROS - Irradiando Luz

Boa Viagem
por Irene Ribeiro de Castro Siqueira*

Existe em minha terra, velha terra povoada de lendas e histórias, uma passagem estreita e profunda entre dois barrancos, que o povo chama a “Cova da Boa Viagem”.
Por que esse nome “Boa Viagem” quando a passagem é estreita e escura, no solo e nos lados apontam pedras, tudo enfim que possa dificultar a marcha do cavaleiro?
Os homens se benzem assustados ao penetrar nela, as mulheres murmuram preces para o descanso eterno daquelas almas das quais as cruzes ali existentes mantém viva a presença.
O eco das passadas dos cavalos ressoa lugubremente, lembra gemidos...
Tal denominação nos encabulava e uma vez uma velha negra, remexendo no fundo de sua memória já cansada de tanto ver, de tanto ouvir, deu-nos a chave do enigma.
Foi há muito tempo...
A pretensiosa cidadezinha de hoje era apenas a Picada do Campo Grande da Conquista de Goiás.
A descoberta do ouro em Goiás agitava os aventureiros. A “Picada” via passar aqueles homens que iam em busca do ouro e que muitas vezes voltavam com ele.
À entrada daquele povoado humilde, destacava-se uma casa, a casa de Seu Salustiano.
Ali os viajantes pousavam. Seu Salustiano era a própria gentileza, recebia-os amavelmente; peritas escravas tornavam sua cozinha afamada e a bela Dona Otília era a hospedeira perfeita.
Conseguia dar ao seu recato de mineira tal graça e tal encanto, que os olhos dos viajantes, cansados de contemplar serras e montes, cansados de tanto interrogar o horizonte sobre a distância que os separava do alvo, esses olhos descansavam ao ver-lhe a figura gentil.
À noite, na varanda, à luz das estrelas, os viajantes conversavam com o dono da casa. O ambiente era propício a confidências... Os forasteiros se deleitavam aos encontrar naquelas brenhas um espírito alegre e compreensivo.
E falavam, falavam...
Às vezes eram apenas planos, planos para a conquista da riqueza, planos esboçados ou já frustrados; mas de outras, era as vozes alegres daqueles que levavam consigo, como mensageiros ou proprietários, ouro, muito ouro.
Um vinho cálido lhes destravava a língua, e Seu Salustiano, maneirosamente, os olhos brilhando no escuro, indagava tudo: o que levavam, quanto levavam, se não tinham medo dos aventureiros e ladrões que infestavam aquelas paragens.
E os hóspedes, amáveis, se abriam.
Finalmente, o dono da casa os aconselhava que fossem dormir, que era tarde, que precisavam madrugar.
Os viajantes se deitavam em leitos macios, cheirando a alfazema, e, entre dois bocejos, elogiavam a bondade de Seu Salu, a beleza de Dona Otília.
Na cozinha, dois escravos esperavam o patrão.
As informações sobre o ouro que levavam eram cuidadosamente transmitidas aos pretos e lá saiam eles dentro da noite e iam para a emboscada, à entrada da estreita passagem.
Madrugada escura, levantava-se Dona Otília; era-lhes servido um gostoso café e Seu Salu acompanhava-os até a porta desejando-lhes uma “Boa Viagem!”
E assim caminhavam para a morte, levando com eles os votos amáveis de Seu Salu que lhes desejara “uma boa viagem”.
Era a última voz humana que ouviam.
O compasso dos cascos dos cavalos repetiam “Boa viagem!”, “Boa viagem!”

*minha querida Vó Nena, mãe de meu pai... nascida em Itapecerica-MG, professora, advogada, servidora pública aposentada, mãe de 4 filhos, avó de 7 netos, bisavó... e também escritora!

Irradiando Luz

ENCONTROS E DESENCONTROS - Minha Literatura Agora

Ela saiu às oito horas.A rua,quente e seca,ainda estava vazia.Insetos zumbiam pelo ar.Caminhava devagar,pisando firme a calçada irregular.E ter que ir ver Luis de novo,meu deus!Tudo novamente:a discussão inevitável,a hesitação que a enfurecia,as palavras trocadas em jatos.Como tudo isso a entediava!E se as pessoas ao invés de viverem na sofreguidão aparentemente eterna de suas vidas,parassem e sentassem num banco de jardim,para ter como única companhia a si mesmo?O pulsar frenético de sua vida a fazia
sentir-se cansada.Queria um pouco de dormência,de lassidão.A indolência consentida,os tumultos apagados.
No cruzamento com a avenida apareceram pessoas.Crianças e adolescentes a caminhao da escola;a velha apressada com uma echarpe ondulante enrolada no pescoço,maquiadíssima(o que estaria fazendo ali?);o mendigo habitual da esquina com suas mãos sujíssimas e o cachorro amarelo de olhos doces,sentado ao lado de uma caixa de papelão.
E se estava indo se encontrar com Luís,deveria mesmo esperar pelos sinos que começavam a retumbar em seus ouvidos.Não tinha,agora,esperança de compreender qualquer sentimento.Sua mente que não era dessas chamadas poderosas ou inescrutáveis,simplesmente oscilava entre o desprazer do corriqueiro.Não deveria esperar nada de Luís,que não fosse o reflexo do próprio egoísmo,o confronto de vontades refeletidas num espelho.
Parou no ponto de ônibus lotado.O calor já estremecia tudo.Mulheres com ar entediado carregavam sacolas de compras e ela,pronta para um desenlace qualquer.
Poderia cortar agora mesmo seus fios desconexos com o homem com quem vivera por tantos anos.Mas além de desconexos,esses fios tão finos e filigranados,lentamente se arrebentavam,tão degradados estavam.E parada ali,ela sofria,por todas as possiblidades e impossibilidades de sua vida.O ônibus chegou.Entrou.E assim foi ao encontro de algo que não sabia o que poderia ser.

Minha Literatura Agora

ENCONTROS E DESENCONTROS - Cristiane Marino

O HOMEM DE MÁSCARA

Era noite de lua cheia, vagava pelas ruas, solitária, sem pensar em nada quando encontrei o homem de máscara: alto, magro, usava camisa branca, calça e colete num tom de cinza, estava de costas para mim andando no meio-fio de braços abertos equilibrando-se pé ante pé.
Fiquei intrigada com aquela figura de máscara no meio da escuridão, de repente como se notasse minha presença ele parou, virou-se lentamente e até parecia sorrir, fez sinal com a mão para que me aproximasse, senti-me hipnotizada como se o tempo tivesse parado e sem que eu pudesse pensar, os meus pés caminharam na direção do homem mascarado, eu não sei como ele fez, mas, num balançar com as mãos me ofereceu uma linda rosa vermelha. Começou a caminhar e fez um gesto para acompanhá-lo, ele não dizia uma só palavra, de vez em quando fitava-me firmemente como se pudesse ver minha alma e voltava a caminhar, eu o seguia calada, apenas atenta a todos os seus movimentos.
Quando chegamos num lindo jardim, com árvores e flores de todos os tons ele parou e, uma música suave tocava, segurou minha mão e iniciamos uma dança, era tudo tão perfeito que duvidei se esse não era mais um daqueles sonhos que sabemos estar sonhando, encostei minha cabeça no ombro dele e me entreguei naquele momento, vivendo apenas o presente e nada mais. A música parou, o homem de máscara olhou-me, estávamos tão perto que podia sentir seu hálito fresco, e, vi em seus olhos brotar uma lágrima, quando toquei a máscara para ver o rosto daquele homem misterioso, ele abaixou a cabeça e se afastou. O vento soprou e folhas secas voavam por toda parte, o homem de máscara foi desaparecendo com olhos tristes de adeus sob a luz do luar e foi para longe, onde meus olhos não puderam mais alcançá-lo.

Cristiane Marino

ENCONTROS E DESENCONTROS - Palavras de Osho

Pergunta:
Amado Osho, ultimamente eu tenho percebido que o meu companheiro é um estranho para mim. Ainda assim, existe uma vontade intensa de superar a separação entre nós. É quase uma sensação de que nós somos linhas correndo paralelas, uma à outra, mas destinadas a nunca se encontrarem. Amado Osho, o mundo da consciência é como o mundo da geometria? Ou existe uma chance daquelas linhas paralelas poderem se encontrar?

Dhyan Amiyo, essa é uma das grandes misérias que todos os amantes tem que encarar: não há como os amantes não terem esse estranhamento, esse desconhecimento, essa separação. Na verdade, todo o funcionamento do amor se baseia no fato dos amantes serem polaridades opostas. Quanto mais distantes eles forem, mais atraentes eles serão. A sua separação é a sua atração.
Eles se aproximam, eles se aproximam muito, mas eles nunca se tornam um. Eles chegam tão próximos, que há mesmo uma sensação de que só um passo a mais e eles se tornariam um. Mas aquele passo a mais nunca é dado e ele não pode ser dado por uma lei natural.
Ao contrário do que se espera, quando eles estão muito próximos, imediatamente começam a se tornarem separados de novo, afastando-se para longe. Porque quando eles estão muito próximos, a atração é perdida, e aí eles começam a brigar, a ficar ranzinzas, a rosnar. Essa é a maneira de se criar distância novamente.
E assim que a distância surge, imediatamente eles começam a sentir-se atraídos. E aí, isso segue como num ritmo, se aproximando, se afastando, se aproximando, se afastando. Existe uma vontade de ser um, mas no nível biológico, no nível do corpo, tornar-se um não é possível. Mesmo enquanto vocês fazem amor, vocês não são um, a separação no nível físico é inevitável.
Você está dizendo, "Ultimamente eu tenho percebido que o meu companheiro é um estranho para mim". Isso é bom. Isso é parte de uma compreensão que está crescendo. Somente pessoas infantis pensam que elas conhecem umas às outras. Você não conhece nem a si mesmo, como se pode conceber que você conheça o seu companheiro?
Nem o seu companheiro conhece a si mesmo, nem você conhece a si mesma. Dois seres desconhecidos, dois estranhos que nada sabem a respeito deles mesmos estão tentando conhecer um ao outro. Isso é um exercício fútil. Isso está fadado a ser uma frustração, um fracasso. E é por isso que os amantes ficam raivosos uns com os outros.
Eles pensam que talvez o outro não esteja permitindo a sua entrada no seu mundo particular. "Ele está me mantendo afastada, ele está me mantendo à distância". E ambos seguem pensando da mesma maneira. E isso não é verdadeiro, todas as reclamações são falsas. Eles simplesmente não compreendem a lei da natureza.
Ao nível do corpo, vocês podem se aproximar mas vocês não podem se tornar um. Apenas no nível do coração vocês podem se tornar um, mas só momentaneamente, não permanentemente.
Ao nível do ser, vocês já são um. Não existe a necessidade de se tornar um. Isso apenas tem que ser descoberto.
Amiyo, você está dizendo, "Ainda assim existe uma vontade intensa de superar a separação entre nós". Se você seguir tentando no nível físico, você irá fracassar. A vontade simplesmente mostra que o amor necessita ir além do corpo, que o amor quer alguma coisa mais elevada que o corpo, alguma coisa maior que o corpo, alguma coisa mais profunda que o corpo.
Mesmo o encontro de coração a coração, embora doce, embora imensamente prazeroso, é ainda insuficiente, porque ele acontece apenas por um momento e, em seguida, de novo, estranhos são estranhos. A não ser que vocês descubram o mundo do ser, vocês não serão capazes de satisfazer essa vontade de se tornar um.
E o fato estranho é que no dia em que você se tornar um com seu amante, você se tornará um com toda a existência também.
Você está dizendo, "É quase uma sensação de que nós somos linhas correndo paralelas, uma à outra, mas destinadas a nunca se encontrarem". Amiyo, talvez você desconheça a geometria não-Euclidiana, porque ela ainda não é ensinada em nossos institutos educacionais. Nas universidades ainda se ensina a geometria Euclidiana que surgiu há dois mil anos.
Na geometria Euclidiana, linhas paralelas nunca se encontram. Mas já foi descoberto que se você continuar e continuar, elas se encontram. A última descoberta é que não existem linhas paralelas, por isso é que elas se encontram. Você não pode criar duas linhas paralelas.
As novas descobertas são muito estranhas. Você não pode nem mesmo criar uma linha reta, porque a Terra é redonda. Se você criar uma linha reta aqui e se você seguir desenhando a partir de ambas as extremidades, ao continuar e continuar, finalmente você descobrirá que ela se tornou um círculo.
E se uma linha reta desenhada até o final se torna um círculo, antes de tudo, ela não era uma linha reta, ela era apenas parte de um círculo muito grande, e uma parte de um grande círculo é um arco, não uma reta. As linhas desapareceram na nova geometria não-Euclidiana, e não havendo linhas, o que dizer sobre linhas paralelas? Não existem linhas paralelas também.
Assim, se fosse uma questão de linhas paralelas, existiria uma chance de que os amantes pudessem se encontrar em algum lugar, talvez na velhice, quando eles já não pudessem brigar, quando eles já não tivessem nenhuma energia para isso, ou quando eles tivessem se tornado tão acostumados... aí, qual seria a questão? Eles usaram os mesmos argumentos, eles tiveram os mesmos problemas, os mesmos conflitos, ambos já estão entediados um com o outro.
Nesse longo trajeto, os amantes param para conversar um com outro. Qual é o sentido dessa conversa? Porque começar a conversar significa começar a argumentar, e sempre é o mesmo argumento, isso não vai mudar. E eles têm argumentado isso tantas vezes e chegam ao mesmo fim. Mas mesmo então, as linhas paralelas, no que se refere aos amantes... Em geometria elas podem começar a se encontrar, mas no amor não há qualquer esperança, elas não podem se encontrar.
E é bom que eles não possam se encontrar porque se os amantes pudessem satisfazer sua vontade de se tornar um ao nível do corpo físico, eles nunca iriam olhar para o alto. Eles nunca iriam tentar descobrir aquilo que está muito mais oculto no corpo físico: a consciência, a alma, Deus.
É bom que o amor fracasse, porque o fracasso do amor, mais cedo ou mais tarde irá levar você a uma nova peregrinação. A vontade irá atormentar você até que ela traga você ao templo onde o encontro acontece. Mas o encontro sempre acontece com o todo... no qual o seu amante estará, mas no qual as árvores também estarão, e os rios, as montanhas e as estrelas.
Em tal encontro, somente duas coisas não estarão presentes: o seu ego não estará lá e o ego do seu amante não estará lá. Além dessas duas coisas, toda a existência estará lá. E esses dois egos eram verdadeiramente o problema, era o que estava fazendo deles duas linhas paralelas.
Não era o amor que estava criando problemas, era o ego. Mas a vontade não será satisfeita. Nascimento após nascimento, vida após vida, a vontade irá permanecer, a não ser que você descubra a porta certa para ir além do corpo e entrar no templo.
Simplesmente mantenha a sua vontade fervilhando, acesa. Não perca o coração. A sua vontade é a semente da sua espiritualidade. A sua vontade é o começo da união maior com a existência. O seu amante é simplesmente uma desculpa.
Dhyan Amiyo, não fique triste. Fique alegre. Alegre-se por não haver possibilidade de encontro no nível físico. Senão, os amantes não teriam caminho algum para a transformação. Eles iriam ficar empacados um com o outro, eles iriam destruir um ao outro. E não há dano algum em se amar um estranho. Na verdade, é mais excitante amar um estranho.
Quando vocês não estão juntos, existe uma grande atração. Quanto mais vocês estão juntos, mas a atração se torna embotada. Quanto mais vocês se tornarem conhecidos um do outro, ainda que superficialmente, menor será a excitação. Muito cedo a vida se tornará uma rotina.
As pessoas seguem repetindo a mesma coisa, muitas e muitas vezes. Se você olhar para as faces das pessoas no mundo, você ficará surpresa: Por que essas pessoas parecem tão tristes? Por que os seus olhos aparentam que elas perderam toda a esperança? O motivo é simples: o motivo é a repetição.
O homem é inteligente. A repetição cria tédio. O tédio traz uma tristeza porque a pessoa sabe o que vai acontecer amanhã, e depois de amanhã... Até a pessoa ir para a sepultura, acontecerá o mesmo, a mesma história.
Um judeu e um polaco estavam sentados num bar acompanhando o noticiário na televisão. No noticiário eles mostraram uma mulher em pé no terraço de um prédio ameaçando se jogar. O judeu disse ao polaco: "eu quero fazer uma aposta com você. Se ela se jogar você me paga vinte dólares. Se ela não se jogar, eu lhe pago vinte dólares. Ok?"
"Tudo bem", disse o polaco.
Poucos minutos depois, a mulher se jogou do terraço e se matou. O polaco pegou sua carteira e entregou vinte dólares ao judeu.
Poucos minutos depois, o judeu se voltou para o polaco e lhe disse, "Olha aqui, eu não posso ficar com esses seus vinte dólares. Eu tenho que lhe confessar que eu já tinha visto esse noticiário hoje mais cedo. Foi uma repetição."
"Não, não", disse o polaco, "fique com o dinheiro, você ganhou por honra e mérito. Fique sabendo que eu também vi esse noticiário hoje mais cedo na TV."
"Você viu?", disse o judeu, "Bem, então por que você apostou que a mulher não iria se jogar?"
"Bem", disse o polaco, "Eu não pensei que ela iria ser tão estúpida ao ponto de fazer aquilo duas vezes!"
Mas a vida é assim... Essa tristeza no mundo, esse tédio e essa miséria podem ser mudados se as pessoas souberem que elas estão procurando pelo impossível. Não procure pelo impossível. Descubra a lei da existência e siga-a. A sua vontade de ser um é o seu desejo espiritual, é a sua natureza religiosa verdadeiramente essencial. Você está apenas focando a si mesma no ponto errado.

O seu amante é apenas uma desculpa. Deixe que seu amante seja apenas um experimento de um grande amor, o amor por toda a existência. Deixe que sua vontade seja uma busca de seu próprio ser interior. Ali, o encontro já está acontecendo. Ali, nós já somos um. Ali, ninguém jamais está separado.

A vontade está perfeitamente certa, apenas o foco do desejo não está certo. Isso está criando o sofrimento e o inferno. Simplesmente mude o foco e a sua vida se tornará um paraíso.

Palavras de Osho

sábado, 25 de abril de 2009

ENCONTROS E DESENCONTROS - Orgulho de Ser

ENCONTROS...


“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”
(Vinícius de Moraes)

Foi saindo de casa que encontrei a liberdade…
Foi saindo de casa que desencontrei a liberdade…
Paradoxo? Não, é fato!
Mesmo morando com minha mãe e irmãos, eu tinha liberdade. Apesar de eu achar que não a tinha, eu não precisava dar tantas satisfações em relação a horários e lugares que eu frequentava. Talvez, por isso, por não querer decepcionar minha mãe, sempre tive consciência das minhas atitudes. Mas como toda jovem, com seus 20 e poucos anos, queria morar só, sair de casa, ter liberdade…
Entenda aqui, liberdade de ir e vir, liberdade de expressão…
Saí de casa! Saí até da cidade que morava! Foi quando descobri que eu tinha liberdade… Agora eu estava presa, no sentindo de ser eu por mim mesma, de não ter tempo pra fazer o que gostava, de ter que trabalhar pra sobreviver, de não aproveitar a vida como antes, pelo simples fato de eu passar a ter responsabilidades que não tinha antes.
Mas foi aí que encontrei as respostas pra perguntas que antes eu fazia. Tive as respostas da maneira que minha mãe dizia de como a vida é, mas que desencontrava. Só que também desencontrei pessoas, mas encontrei outras. Encontrei a saudade, desencontrei a futilidade.
Ao longo da vida, encontramos pedras no caminho, pois nem tudo são flores. Mesmo quando encontramos as flores, temos que tomar cuidado com os espinhos. Às vezes, desencontra-mo-nos da esperança, da fé, por conta de desilusões com determinadas situações. Saber que todos nós passamos por essas circunstâncias cabe-nos encontrarmos os exemplos de superação e também encontrarmos forças para reagir, para continuar as batalhas por nossos objetivos. A vida também é luta! Temos que lutar pra viver.
A vida realmente é um eterno paradoxo! Por isso, que é tão deliciosa vivê-la, uma vez que a cada dia, se você se permitir, vai encontrar e desencontrar sempre, de tudo. Vai encontrar pessoas fundamentais que farão diferença tamanha na vida. São os anjos que Deus coloca em nosso caminho quando vamos ao encontro dos nossos sonhos, da nossa felicidade.
Viver é encontrar a felicidade!

Orgulho de Ser

ENCONTROS E DESENCONTROS - Vidas Linhas

Encontros...
Quando vejo você sentado
a beira da praia sozinho
a cismar coisas da vida...

Desencontros...
Quando percebo que nem me nota,
com os pensamentos longe
Numa terra cheia de problemas...

Encontros...
Um pôr do sol maravilhoso...
olho e não o vejo
pois que me preocupo,
com seus devaneios...

Desencontros...
Mesmo estando ali ao seu lado
você em devaneios profundos,
continua a nao perceber a minha presença...

Encontros...
Desencontros...
Finalmente, me percebes...
e juntos caminhamos...
Ao longe o sol beija o mar...

Vidas Linhas

ENCONTROS E DESENCONTROS - Vida de Atriz

Ele nasceu em maio de 1975, em Salvador. Cresceu passeando no Pelô. Viajou com a família para o Rio de Janeiro, de férias, em janeiro de 1987, e ficou hospedado em Copacabana. Voltou para a Bahia, até 1994, quando foi para Brasília fazer faculdade. Saiu de lá em dezembro de 1998, quando foi passar dois anos fazendo mestrado em Harvard. Em janeiro de 2001, voltou para Salvador, para morar com a família, mas, procurando alguma coisa a mais na vida, em março de 2003 mudou-se para Natal, depois Porto Alegre em setembro de 2004, depois São Paulo em junho de 2006 e, finalmente, ao Rio de Janeiro, em novembro de 2008. Foi morar perto do hotel de que lembrava, e arrumou um emprego numa firma de advocacia, no Centro da cidade. Foi lá que, no dia 25 de abril de 2009, às 12:37, ele passou pela Avenida Rio Branco, virando na esquina com a Sete de Setembro.
Ela nasceu em fevereiro de 1987, no Rio de Janeiro. Morou a vida inteira em Copacabana. De lá, só saiu para viagens curtas. Foi para Natal com a família em janeiro de 2003, passou o carnaval em Salvador com as amigas em 2005, foi visitar uma prima em Porto Alegre em julho de 2006. Começou a faculdade, mas sem saber direito o que queria da vida. Em agosto de 2008, começou a estagiar numa empresa de publicidade, no Centro da cidade. Foi lá que, no dia 25 de abril de 2009, às 12:37, ela passou pela Rua Sete de Setembro, virando na esquina com a Rio Branco.
E nessa hora, tudo fez sentido.

Vida de Atriz

ENCONTROS E DESENCONTROS - Blog Coletivo - Uma Interação de Amigos

O que são os encontros e os desencontros em nossas vidas?
A vida já é um encontro conosco mesmo!
A vida é feita de encontros e desencontros, todos os momentos.
A lua é o encontro da noite.
O sol é o encontro da manhã ensolarada.
As estrelas são os encontros com o céu e o seu infinito.
A vida é feita de encontros e desencontros.
Pode ser um contraste de sentimentos.
É a circunstância da vida.
A vida é o encontro de tudo, como também pode ser o desencontro, do nada.
O desencontro pode ser a desarmonia entre as coisas, que se amam.
A fatalidade inesperada, pode ser a perda, o fracasso, o desamor, o egoísmo,uma espera incansada da pessoa amada. A vida traz a arte do encontro e desencontro.
O encontro pode ser brindado com champanheentre os casais que se amam.
Enquanto, o desencontrado, é saboreado num cálice, na hora da despedida..
Desencontro é o espaço em branco, uma lacuna insubstituível de quem se ama..
Encontro e Desencontro andam lado a lado.
Como separá-los? Ninguém sabe.
Eles existem e fazem parte de nossas vidas.
Assim como a vida e a morte.
É difícil ignorá-las.Assim como a noite, e o dia,
Como a chuva, o sol, a lágrima, a dor, as emoções, as alegrias, a ternura, a sensualidade, enfim, encontro e desencontro, existem.
E não tem como nos separá-los, mas sim viver o melhor deles.
O Encontro é a ternura entre duas pessoas,
O desencontro a saudade da distância entre os amantes!.
O Encontro pode ser sol se encontrando com a lua, num verdadeiro eclipse do amor.
O desencontro é a passagem da lua pelo sol..
Encontro e desencontro é a passagem da escuridão dando lugar a luz.
É o sol depois da tempestade.
Encontro e desencontro são os temperos de uma grande vida, vivida intensamente, cheias de encontros e desencontros.
O Encontro é o espelho do Desencontro.

Blog Coletivo - Uma Interação de Amigos

ENCONTROS E DESENCONTROS - Entre a Razão e a Emoção

Em eterno esconde-esconde
A Terra e o Luar
A vida
Como o mar
Leva e trás
Trás e leva
Neste vai-e-vem constante
VocêEm terno reencontro
O amor se fez presente
E o tempo da distância
Desfez-se
Em segundos
Nossas bocas se encontram
A lembrança e o sabor de um passado
Que agora, no presente se deu
E este encontro de almas apaixonadas
Faz o tempo parar
Neste instante
Eu sou sua
E você
Só meu
Mas a vida segue seu curso
E o mundo em movimento
Cada qual em uma estrada
Desencontramo-nos novamente
Em mais uma curva da estrada
E assim é a nossa vida
Entre encontros e desencontros
Escrevemos a mesma história
De um amor eterno
Que não é deste
Tempo
E não pertence a este
Espaço
Eu

ENCONTROS E DESENCONTROS - Coisas Fágeis

Essa historia poderia ser real, verdadeira....poderia!!!
Quando parti levei sonhos
e o coração do avesso
as palavras de um verso
que eu só fiz o começo
e um baú de lembranças
de falso ouro,
sem preço.

Encontramo-nos na internet, numa sala de bate papos.
Foi há uns quatro anos. Estava entediada, sozinha e, portanto a internet era a companheira.
Até que uma noite, a chatice de sempre numa sala de bate papos, veio um nickname e fez as perguntinhas normais: oi, de onde tc, qual idade, coisinhas básicas de todo chateiro. CHATOeiro seria a palavra certa. A sala era de religião, então perguntei a ele se era da religião, e ele respondeu: nem de grátis.
Ele me conquistou. A resposta foi inusitada para quem estava em uma sala religiosa, em que somente os seguidores freqüentavam. Começamos ali uma grande amizade. Para conversar no Messenger, foi um pulinho de nada... Lá estava eu conversando. Nessa época não entendia muito de amizades on-line, para mim tudo era uma grande brincadeira, ou, uma grande maneira de não me sentir só, assim como todos que freqüentam esse tipo de “coisa”. Minha intenção sempre foi a de conversar (isso é o q falamos....), outros a intenção é de arrumar alguém para se relacionar, outros de só atormentar, outros somente estão lá como almas virtuais vagantes, sem porquês, estão como numero, ou para ocupar vagas.
Falamo-nos por três meses, sobre tudo e todos, trocávamos fotos, lembranças... Telefone! Lembranças materiais (como: livros, cd de musicas, uma lembrancinha feita de acordo com o personagem).E tudo se foi esquentando. Veio a paixão. Mas paixão? Ops fiquei adolescente, boba, romântica. Como pode se apaixonar por um Nick? Por uma voz? Por uma foto? Mas foi.
Ele falou por diversas vezes em sua vontade de largar tudo na sua vida e se ajuntar a minha. Mas como, isso era impossível!
Ele morava no extremo dos extremos de um estado no sul do Brasil....e eu....morava até então no sudeste. Culturas diferentes, idades diferentes (eu era mais velha que ele uns dez anos), formações diferentes, status social diferentes, a única coisa que era igual: a nossa solidão, a nossa vontade de amor, de carinhos, de palavras amistosas, confortantes. Palavras que embelezasse nossos dias, nossas noites, nossos corpos, nossas almas....nosso ego.Carinhos que somente apaixonados fazem um para o outro. Só que em nossa condição, era tudo lindo, fácil, pois não tínhamos o dia a dia em forma de contato, em forma de problemas. Sabíamos o que acontecia um com o outro a noite. Dizíamos o que queríamos dizer, com palavras confortantes, com palavras cativantes..calientes, sensuais, .não tínhamos a rotina tediosa de um casal e sim um amor virtual que era perfeito.....até que....Um dia enquanto eu falava com ele por meio do Messenger, eu também falava com um amigo, esse até então amor perfeito virtual, perguntou com quem eu falava, eu inocentemente (não tinha a maldade virtual ainda encravada em mim, nem mágoas virtuais... era um Nick ainda imaculado....era só dele) disse que não falava com ninguém além dele.....esse foi meu erro.....menti...uma mentirinha.Ele disse: (....) tu não conhece o programa que usas? Eu disse, mas porque você esta dizendo isso? E ele fez essa pergunta mais duas vezes... e eu até então não tinha entendido.Meu amor virtual, aquele que fez renascer tantos sentimentos adormecidos e outros esquecidos, falou que se eu não dissesse com quem eu falava, ele iria fazer uma contagem e que se nessa contagem eu não falasse, ele nunca mais falaria comigo!!! Fez uma contagem regressiva: 10, 9, 8.....1, 0...e eu não entendia, que coisa absurda. Parecia coisa de criança. E assim foi. Fez a contagem e eu suplicando para que ele me dissesse o que estava acontecendo...e ele friamente...como se fosse um algoz, um marido de uns 10 anos de casamento, que inventa situações para se desvencilhar de nós....e assim nos deixar para fazer outras coisinhas.....assim mesmo...ele o fez comigo.Nossa, que tristeza que foi. Chorei, chorei.....dirigi chorando, dormi chorando...amanheci chorando. E o mais interessante: não tinha com quem desabafar....somente eu e eu mesma nos consolávamos, enxugávamos nossas lágrimas e engolíamos nossa grande mágoa, a mágoa da mulher-burra-virtual ter sido abandonada ao relento ilusório. Como meu amor-idiota-virtual poderia ter feito isso comigo? E as declarações?E a vontade em me conhecer pessoalmente? Os telefonemas? O quanto ele e eu nos arriscamos... Não aquilo não poderia ser. Ele chegou a dizer que iria largar tudo..para ficar comigo(só rindo mesmo)....Enviei uns “milhões de e-mails”. Telefonei para a casa dele (arriscadíssimo, tanto para ele como para mim), umas “trocentas” vezes...e nada...silêncio total. Nem respostas de e-mails muito menos atender ao telefone. Passou-se um tempo...um tempo ...e um dia abro a caixa de e-mail....e que surpresa, um texto dele.O texto era uma despedida. Utilizou um trecho de uma música regional. Conforme eu lia o texto, as lagrimas deixavam meus olhos insuportavelmente cegos...inundados com tanta água...parecia que iria desidratar....que dor....no assunto do e-mail o nome da musica: Ementário de partida, e com um dos trechos dizendo o seguinte: (...)Pensei que fosse mais fácil emoldurar o passado num retrato amarelado antigo quanto a saudade. Quando se partem as metades um lado procura o outro o que vai é o recomeço (...).No final ele desejava muita saúde. Muito irônico isso. A minha saúde tinha ficado um pouco nas noites em que varei a madrugada falando com ele, ouvindo suas reclamações (ele era casado)...suas vontades....seus sonhos, seus anseios, as expectativas profissionais...até a opinião sobre a compra de um carro....Bueno...chorei...chorei..mandei milhões de e-mails...telefonei...e nada. Ele cumpriu...fez sua despedida ali....naquela telinha....sem mais nem menos....sem carinhos...sem beijos...sem caricias...assim....-saúde!!!Passou um tempo, uma pessoa conhecida contou que ele andava freqüentando uma sala de bate papos – idades dos 20 aos 30 - . Fui até essa salinha e vi com meus próprios olhos que choraram tanto por ele....o amante-latindo-virtual lá....no maior namoro com um Nick feminino.... Estavam teclando no que dizíamos ”aberto”, para qualquer um ler e ver......ali eu tive uma súbita decepção. Pensei: olha lá...meu ex-odiável-amor-virtual, deve estar passando uma cantada nesse Nick.....mas é a roda imaginária fazendo a sua vez.Ela –essa roda virtual-fez com que eu encontrasse alguém que foi importante num pequeno período de minha vida. Ainda bem que quando acionamos o botão desligar, depois que limpamos o histórico em opções da internet do nosso computador, tudo se deleta, tudo fica no mundo dos bytes....tudo é jogado para o além-lixo-virtual. Ele nunca mais deu noticias de lá - do seu mundo, muito menos eu daqui-do-meu-mundo!Aprendi a ficar mais atenta a tudo isso, e a trabalhar mais meu emocional, pois como foi uma “coisa frágil” sem maiores conseqüências (fora todas as lágrimas), poderia ter sido algo mais perigoso.....Um encontro virtual que foi uma alegria (ele trouxe cores, sabores, flores, luz para meus dias e noites...minha vaidade se aflorou), assim como uma escola de samba do primeiro grupo carioca que entra na Sapucaí em dia de apoteose...ele se foi...passou alegremente numa fantasia que somente eu aplaudia....somente eu acreditava...somente eu ansiava....e no inicio do abandono....a tristeza tomou conta do meu ser....mas ainda bem que ficou na saudade! Uma saudade gostosa de sentir (não me chamem de masoquista), um sentimento que contém leveza .E assim terminou minha curta passagem por chats, um encontro com um enorme desencontro, nunca mais tive noticias dele. Perdemo-nos no esquecimento possível e necessário.


Coisas Fágeis